Drex: O Que Aconteceu com o Real Digital do Banco Central? Meta Description
Se você acompanha notícias sobre finanças e tecnologia no Brasil, provavelmente já ouviu falar do Drex. Mas você sabia que esse projeto ambicioso do Banco Central foi oficialmente encerrado em novembro de 2025? Vamos entender o que era essa moeda digital, por que ela não deu certo, e principalmente: qual a diferença entre o Drex e criptomoedas como Bitcoin e Ethereum?
12/14/20259 min ler


O Que Era o Drex?
O Drex (sigla para Digital Real Eletrônico X) era a tentativa do Banco Central brasileiro de criar uma versão digital do real. Pense nele como dinheiro físico, mas totalmente eletrônico e com recursos tecnológicos avançados.
O Drex seria o real em formato digital, emitido em plataforma digital operada pelo Banco Central. A ideia era revolucionar o sistema financeiro brasileiro, permitindo transações mais seguras e eficientes usando tecnologia blockchain – a mesma por trás das criptomoedas.
Como o Drex Funcionaria na Prática?
Na teoria, o Drex traria várias vantagens:
Contratos inteligentes: Imagine comprar um carro e ter a garantia automática de que o pagamento só seria liberado quando a transferência do veículo fosse concluída. Isso é um contrato inteligente – um código que executa ações quando determinadas condições são cumpridas.
Tokenização de ativos: Seus investimentos, imóveis ou até mesmo um carro poderiam ser transformados em tokens digitais, facilitando negociações e empréstimos usando esses bens como garantia.
Integração bancária: Diferente das criptomoedas convencionais, o Drex seria integrado diretamente aos bancos tradicionais. Você acessaria através da sua conta bancária normal, sem precisar de carteiras digitais complicadas.
Valor estável: Um Drex sempre valeria exatamente R$ 1. Sem oscilações malucas de preço como acontece com Bitcoin ou Ethereum.
Por Que o Drex Foi Encerrado?
Aqui vem a parte interessante – e frustrante. O Banco Central encerrou o projeto do Drex durante uma reunião com representantes dos consórcios em novembro de 2025. Mas por quê?
Os Principais Problemas
Questões de privacidade
O Drex enfrentou desafios de manutenção da privacidade e de proteção dos dados na primeira etapa de testes. Em palavras simples: não conseguiram garantir que suas transações ficassem realmente privadas. E convenhamos, ninguém quer que o governo ou qualquer outra pessoa fique espionando cada compra que você faz, certo?
Custos altos demais
Manter toda a infraestrutura necessária para o Drex estava saindo muito caro. A tecnologia blockchain, apesar de segura, exige muitos recursos computacionais e energia.
Problemas técnicos com blockchain
Ataques hackers que desviaram mais de R$ 1 bilhão de instituições financeiras no início de julho de 2025 podem ter sido uma das razões para o recuo do Banco Central no uso do blockchain. Quando você está lidando com o dinheiro de milhões de brasileiros, não dá para arriscar.
O dilema da centralização
Aqui mora o grande paradoxo do Drex: ele queria usar blockchain (tecnologia descentralizada) mas manter controle total do Banco Central (centralização). É como querer fazer uma omelete sem quebrar os ovos – simplesmente não funciona bem.
A Mudança de Estratégia
O Banco Central abandonou a tecnologia blockchain em sua terceira fase de desenvolvimento do Drex, em agosto de 2025. Eles tentaram encontrar alternativas tecnológicas, mas no fim das contas, decidiram que não fazia sentido continuar.
De acordo com fontes ligadas ao projeto, "o entendimento do Banco Central é que não é viável manter uma infraestrutura estatal para viabilizar esses negócios".
Drex vs Bitcoin vs Ethereum: Entendendo as Diferenças
Agora vamos ao que realmente importa: qual a diferença entre o que o Drex pretendia ser e as criptomoedas que você já conhece?
Controle e Emissão
Drex (se tivesse dado certo):
Totalmente controlado pelo Banco Central
Emissão centralizada pelo governo
Impossível criar mais Drex sem autorização do BC
Seu uso poderia ser monitorado e até bloqueado
Bitcoin:
Ninguém controla – totalmente descentralizado
Oferta fixa de 21 milhões de unidades, com eventos chamados halvings que reduzem a emissão de novas moedas a cada quatro anos
Impossível para qualquer governo ou empresa bloquear ou censurar transações
Você realmente é dono das suas moedas
Ethereum:
Descentralizado, mas com uma fundação que guia o desenvolvimento
Após atualizações como o EIP-1559 e o Merge, passou a adotar um modelo de emissão mais dinâmico, podendo até diminuir o volume de ETH em circulação
Flexível e em constante evolução tecnológica
Objetivo Principal
Drex:
Seria usado para tudo: pagamentos do dia a dia, contratos inteligentes, compra de imóveis, empréstimos. Um "canivete suíço" das finanças digitais brasileiras.
Bitcoin:
Foi criado para ser uma reserva de valor descentralizada, uma alternativa ao ouro e ao dinheiro fiduciário tradicional, visto como o "ouro digital" do universo cripto. Pense no Bitcoin como ouro digital – você guarda porque acredita que vai valer mais no futuro.
Ethereum:
Foi projetado como uma plataforma programável para a criação de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas. É como um computador mundial onde desenvolvedores podem criar apps, jogos, sistemas financeiros e muito mais.
Volatilidade e Preço
Drex:
Preço fixo e estável: 1 Drex = R$ 1, sempre. Zero volatilidade. Isso parece bom, mas também significa que você nunca ganharia dinheiro apenas por "segurar" Drex.
Bitcoin:
Extremamente volátil. O Bitcoin atingiu uma máxima histórica de quase US$ 123.000 em 14 de julho de 2025, mas pode cair 20% em uma semana e subir 30% na seguinte. É uma montanha-russa emocionante (e estressante).
Ethereum:
Também volátil, mas geralmente um pouco menos que o Bitcoin. O ETH avançou 38% após as eleições americanas de 2024, sendo negociado a US$ 3.600. Analistas acreditam que pode haver crescimento significativo nos próximos anos.
Privacidade
Drex:
Esse foi justamente seu maior problema! Não conseguiu garantir privacidade adequada. Teoricamente respeitaria o sigilo bancário, mas na prática não funcionou.
Bitcoin:
Pseudônimo, não anônimo. Suas transações são públicas no blockchain, mas não necessariamente ligadas ao seu nome real. Com as ferramentas certas, dá para rastrear, mas é bem mais difícil que um banco tradicional.
Ethereum:
Similar ao Bitcoin em termos de privacidade. Existem soluções adicionais para aumentar o anonimato, mas não é o foco principal da rede.
Tecnologia e Eficiência
Drex:
Tentava usar blockchain mas de forma customizada para atender necessidades regulatórias brasileiras. No fim, a complexidade foi sua ruína.
Bitcoin:
Ainda utiliza o sistema de consenso chamado Proof of Work, baseado em mineração com alto gasto energético, o que garante uma descentralização robusta, mas com custo ambiental. É lento (cerca de 7 transações por segundo) e consome muita energia, mas é extremamente seguro.
Ethereum:
Migrou para o Proof of Stake com a atualização conhecida como Ethereum 2.0, reduzindo drasticamente o consumo de energia da rede. Muito mais rápido e eficiente que o Bitcoin, processando cerca de 30 transações por segundo (e pode melhorar ainda mais com atualizações futuras).
Casos de Uso Real
Drex:
Seria perfeito para:
Pagamentos instantâneos entre pessoas
Compra de imóveis e carros com segurança automática
Empréstimos usando seus ativos como garantia
Pagamento de impostos com split automático
Mas como não existe mais, ficou no "teria sido legal".
Bitcoin:
Hoje é usado principalmente para:
Investimento de longo prazo (muita gente compra e guarda anos esperando valorização)
Proteção contra inflação em países com moedas instáveis
Transferências internacionais (mais barato que bancos tradicionais)
Reserva de valor institucional (empresas como Tesla e MicroStrategy possuem Bitcoin)
Ethereum:
Casos de uso práticos:
DeFi (finanças descentralizadas): emprestar, pegar emprestado, ganhar juros sem banco
NFTs: arte digital, colecionáveis, ingressos digitais
DAOs: organizações autônomas descentralizadas que funcionam sem CEO
Stablecoins: a maioria das moedas estáveis como USDT roda no Ethereum
Games blockchain e metaversos
O Futuro: E Agora?
Com o fim do Drex, o que vem por aí?
O Que o Banco Central Vai Fazer?
Para 2026, a expectativa é que o Banco Central apresente um novo roadmap para a digitalização da economia, menos focado em uma CBDC de uso geral e mais voltado para a criação de um ambiente regulatório que incentive a inovação do setor privado.
Em outras palavras: em vez de criar sua própria moeda digital, o BC deve focar em:
Melhorar e expandir o Open Finance
Regular stablecoins privadas (como USDT e USDC)
Permitir mais inovação do mercado privado
Focar em melhorias no Pix (que já funciona super bem)
O Pix Não É Suficiente?
Muita gente se pergunta: por que criar o Drex se já temos o Pix? Boa pergunta!
O Pix é ótimo para pagamentos instantâneos, mas o Drex iria além:
Contratos inteligentes automáticos
Tokenização de ativos
Programabilidade do dinheiro
Integração com blockchain internacional
Mas considerando que o Drex não deu certo e o Pix funciona muito bem, talvez a resposta seja: sim, o Pix é suficiente para a maioria das nossas necessidades no Brasil.
Bitcoin e Ethereum Continuam Vivos e Bem
Enquanto o Drex foi arquivado, Bitcoin e Ethereum continuam crescendo e evoluindo.
Perspectivas para 2025-2026
Bitcoin:
Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, mantém sua meta de US$ 150.000 por BTC, enfatizando o papel do Bitcoin como proteção contra a impressão de dinheiro. Especialistas acreditam que o Bitcoin continuará sendo visto como "ouro digital" e proteção contra inflação.
Ethereum:
Projeções sugerem que Ethereum poderia ultrapassar US$ 6.500 em 2025, impulsionado por maior demanda e melhorias contínuas na rede. O crescimento do DeFi e dos NFTs deve continuar beneficiando o Ethereum.
Qual Investir?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares (literalmente). Vamos ser práticos:
Escolha Bitcoin se você:
Quer algo mais "estável" (dentro do mundo cripto)
Busca proteção contra inflação de longo prazo
Prefere simplicidade: comprar e guardar
Quer o ativo mais líquido e aceito
Escolha Ethereum se você:
Acredita no futuro das finanças descentralizadas
Quer exposição a tecnologias inovadoras
Aceita mais volatilidade por potencial de retorno maior
Se interessa por NFTs, DeFi e Web3
Melhor de tudo: diversifique
Uma alocação diversificada em cripto, dimensionada em relação ao orçamento de risco geral do seu portfólio, é prudente para a maioria dos investidores. Muitos investidores dividem entre Bitcoin (60-70%) e Ethereum (30-40%) para balancear estabilidade com potencial de crescimento.
Lições do Drex Para Investidores Brasileiros
O que aprendemos com essa história toda?
1. Tecnologia blockchain é difícil mesmo para governos
Se o Banco Central, com todos os recursos e especialistas, não conseguiu fazer funcionar, imagine a complexidade envolvida. Isso mostra o quão revolucionária (e desafiadora) essa tecnologia realmente é.
2. Descentralização vs Controle: escolha um
O grande problema do Drex foi tentar ser descentralizado e centralizado ao mesmo tempo. Bitcoin e Ethereum funcionam justamente porque não têm essa contradição.
3. Privacidade importa (e muito)
Brasileiros se preocupam com privacidade financeira. Qualquer solução digital precisa garantir isso de verdade, não apenas no papel.
4. Às vezes, o simples funciona melhor
O Pix é mais simples que o Drex seria, e funciona perfeitamente. Nem sempre a solução mais tecnológica é a melhor.
5. Bitcoin e Ethereum têm seu lugar
O fim do Drex não significa que moedas digitais são ruins. Significa que talvez as descentralizadas (Bitcoin e Ethereum) façam mais sentido que uma controlada pelo governo.
Perguntas Frequentes
O Drex vai voltar algum dia?
Difícil dizer. O Banco Central pode eventualmente tentar de novo com uma tecnologia diferente, mas por enquanto, o projeto está oficialmente morto. O foco agora está em melhorar sistemas existentes como o Pix e regular o mercado privado de criptomoedas.
Devo investir em Bitcoin ou Ethereum por causa do fim do Drex?
O fim do Drex não muda a tese de investimento de Bitcoin ou Ethereum. Eles sempre foram (e continuam sendo) ativos de risco com potencial de valorização, mas também com alta volatilidade. Invista apenas o que você pode perder e faça sua própria pesquisa.
O Pix pode virar algo parecido com o Drex?
É improvável. O Pix é ótimo sendo o que é: um sistema de pagamentos instantâneos. Adicionar complexidade como contratos inteligentes poderia comprometer sua simplicidade e eficiência. É mais provável que o BC permita empresas privadas criarem soluções complementares ao Pix.
Criptomoedas são mais seguras que o Drex seria?
Em termos de descentralização e resistência à censura, sim. Bitcoin e Ethereum são praticamente impossíveis de derrubar ou controlar. Mas eles têm seus próprios riscos: volatilidade extrema, possibilidade de perder suas chaves privadas, golpes e hacks em exchanges. Segurança em cripto depende muito de como você guarda e gerencia seus ativos.
Vou poder usar Bitcoin ou Ethereum no Brasil como dinheiro normal?
Hoje em dia, já é possível usar cartões de débito cripto em alguns lugares, mas a adoção para uso diário ainda é limitada. A volatilidade torna difícil usar Bitcoin ou Ethereum como moeda do dia a dia. Stablecoins (moedas digitais atreladas ao dólar ou real) fazem mais sentido para pagamentos cotidianos.
Conclusão: O Fim de Uma Era Antes de Começar
O Drex representava a ambição do Brasil de estar na vanguarda da inovação financeira. Infelizmente, os desafios técnicos, de privacidade e de custo se mostraram intransponíveis – pelo menos por enquanto.
Mas isso não significa que o futuro do dinheiro digital está comprometido. Pelo contrário. Bitcoin continua se consolidando como ouro digital. Ethereum expande os limites do que é possível fazer com blockchain. E o Brasil já tem o Pix, que é inveja do mundo inteiro.
Talvez a lição mais importante seja esta: a inovação financeira pode vir tanto de governos quanto do setor privado. E às vezes, deixar que diferentes soluções coexistam e compitam é melhor que tentar criar um sistema único e controlado.
Para você, investidor brasileiro, o recado é claro: estude, diversifique e entenda que tanto Bitcoin quanto Ethereum têm seus méritos e riscos próprios. O fim do Drex não muda isso – na verdade, até reforça o valor das criptomoedas verdadeiramente descentralizadas.

